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Não fossem por circunstâncias salvadoras, Gorazde poderia ser lembrada hoje da mesma maneira que Srebrenica. Com pouco mais de 30 mil habitantes, a cidade fica às margens do Rio Drina, na parte oriental da Bósnia e Hezergovina.
Para os amantes dos quadrinhos, Gorazde é sinônimo de obra-prima. Em 2000, o jornalista e quadrinista maltês Joe Sacco lançou “Área de Segurança Gorazde – A Guerra na Bósnia Oriental – 1992-1995″, um enorme sucesso no universo das HQs.
O livro é, realmente, uma obra-prima. Por traços marcantes de seus desenhos, Sacco, uma das atrações da Flip deste ano, descreve os quatro meses que passou em Gorazde, em plena guerra civil, entre 1994 e 1995. Com sensibilidade, apresenta o olhar dos habitantes sobre a guerra, principalmente de Edin, que se tornaria um grande amigo. Os sonhos, o pessimismo, a esperança. Em resumo, leia!
Voltando à história de Gorazde durante a guerra… Em 1992, a cidade sofre um ataque surpresa das forças bósnio-sérvias, mas consegue resistir. No entanto, muitos muçulmanos que tentaram escapar foram mortos de forma terrível. No livro de Sacco, há relatos de massacres, à noite, nas pontes sobre o Drina. Os corpos eram jogados no rio!
Em 1994, Gorazde sofre um segundo ataque, com muito mais força, dessa vez sob o comando de Ratko Mladic. Novamente, os próprios habitantes defendem a cidade, à época já uma “área de segurança” da ONU, que nada faz.
Somente após os apelos do então presidente da Bósnia e Hezergovina, Alija Izetbegovic, e da maciça cobertura das grandes redes de TV internacionais, é que o mundo volta seus olhos para Gorazde. Uma ofensiva do exército norte-americano afasta as forças inimigas da cidade. Derrotado, Mladic foi para Srebrenica…
Gorazde ainda tem marcas da guerra, mas tenta olhar para o futuro, como todo o país. Conhecemos Dzenan, guia turístico (!), pouco mais de 25 anos. Seu sonho é conhecer o Brasil, que ele idolatra! Uma pequena cidade, com muitas histórias.
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