Pazi, metak!

Bósnia e Hezergovina, Sarajevo. 14 de julho de 2011. "Pazi, metak!" ou "Cuidado com os tiros!" é um movimento organizado por alguns cidadãos insatisfeitos com a segurança nas zonas mais distantes do centro de Sarajevo. Segundo eles, a polícia é inoperante na contenção do uso de armas de fogo nessas áreas.

Sarajevo-Banja Luka

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Depois de oito noites descobrindo Sarajevo (com passagens por Srebrenica e Gorazde), partimos para o norte da Bósnia e Hezergovina, com destino a Banja Luka, a segunda maior cidade do país.

Com população estimada em 250 mil habitantes, Banja Luka é a capital da Republika Srpska (ou República Sérvia), a outra entidade política dentro do país. Nos próximos dias, vamos esclarecer mais profundamente o assunto, um pouco confuso para os próprios nativos!

Enquanto isso, fiquem com algumas imagens da bela viagem, em meio às montanhas (lembrem-se: balcãs deriva de palavra turca que significa montanha!). No final, fomos acompanhados pela beleza das águas verdes do Rio Vrbas, que chega até Banja Luka e é muito importante para a cidade. Aguardem mais da capital da Republika Srpska!

Bar Tito

Bósnia e Hezergovina, Sarajevo. 13 de julho de 2011. O bar Tito fica atrás do Museu Nacional, próxima a "Sniper Alley". Fora da zona comercial da cidade, é um excelente lugar para beber por um valor honesto e para conhecer um pouco sobre o grande líder da ex-Iugoslávia.

Gorazde

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Não fossem por circunstâncias salvadoras, Gorazde poderia ser lembrada hoje da mesma maneira que Srebrenica. Com pouco mais de 30 mil habitantes, a cidade fica às margens do Rio Drina, na parte oriental da Bósnia e Hezergovina.

Para os amantes dos quadrinhos, Gorazde é sinônimo de obra-prima. Em 2000, o jornalista e quadrinista maltês Joe Sacco lançou “Área de Segurança Gorazde – A Guerra na Bósnia Oriental – 1992-1995″, um enorme sucesso no universo das HQs.

O livro é, realmente, uma obra-prima. Por traços marcantes de seus desenhos, Sacco, uma das atrações da Flip deste ano, descreve os quatro meses que passou em Gorazde, em plena guerra civil, entre 1994 e 1995. Com sensibilidade, apresenta o olhar dos habitantes sobre a guerra, principalmente de Edin, que se tornaria um grande amigo. Os sonhos, o pessimismo, a esperança. Em resumo, leia!

Voltando à história de Gorazde durante a guerra… Em 1992, a cidade sofre um ataque surpresa das forças bósnio-sérvias, mas consegue resistir. No entanto, muitos muçulmanos que tentaram escapar foram mortos de forma terrível. No livro de Sacco, há relatos de massacres, à noite, nas pontes sobre o Drina. Os corpos eram jogados no rio!

Em 1994, Gorazde sofre um segundo ataque, com muito mais força, dessa vez sob o comando de Ratko Mladic. Novamente, os próprios habitantes defendem a cidade, à época já uma “área de segurança” da ONU, que nada faz.

Somente após os apelos do então presidente da Bósnia e Hezergovina, Alija Izetbegovic, e da maciça cobertura das grandes redes de TV internacionais, é que o mundo volta seus olhos para Gorazde. Uma ofensiva do exército norte-americano afasta as forças inimigas da cidade. Derrotado, Mladic foi para Srebrenica…

Gorazde ainda tem marcas da guerra, mas tenta olhar para o futuro, como todo o país. Conhecemos Dzenan, guia turístico (!), pouco mais de 25 anos. Seu sonho é conhecer o Brasil, que ele idolatra! Uma pequena cidade, com muitas histórias.

Casamento

Bósnia e Hezergovina, Sarajevo. 12 de julho de 2011. O casamento é um rito muito importante em qualquer religião. Em Sarajevo, que abriga os mais diferentes credos, a diversidade de lojas de vestimentas matrimoniais para atender de cristãos a muçulmanos, é muito interessante.

O túnel

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Um símbolo de resistência. Um trajeto de pouco mais de 800 m embaixo da terra ajudou toda uma cidade a sobreviver. Se não fosse pelo “Túnel da Esperança”, o cerco a Sarajevo, que durou quase quatro anos (5 de abril de 1992 a 29 de fevereiro de 1996), teria sido ainda mais terrível.

Sitiada pelas forças do exército de Slobodan Milosevic e Radovan Karadzic, a cidade teve de encontrar meios para sobreviver. A ONU, quando agiu, com o envio de alimentos para dentro da cidade, teve de aceitar um acordo com as forças bósnio-sérvias: 50 % de suprimentos para cada lado. Ou seja, a mesma parcela chegava tanto para mais de 300 mil habitantes quanto para o exército que sitiava a cidade, em número infinitamente menor. Belo acordo!

Ao menos, a ONU tinha o controle do Aeroporto Internacional de Sarajevo, única saída para território livre. O único meio possível para a entrada de alimentos, armas e munição. Em pouco mais de seis meses, sem equipamentos ou projeto de engenharia, já que não poderiam ser descobertos pelas forças inimigas, o túnel ficou pronto. A partir dia 30 de julho de 1994, Sarajevo tinha uma esperança.

Da garagem da casa da família Kotor, o túnel passava embaixo do aeroporto e trazia vida para Sarajevo (veja imagem aqui – o túnel está na parte direita superior, onde lê-se “Bosnian Free Territory”). Hoje, pouco mais de 20 metros de extensão ainda existe. Há um museu, administrado pela família, que conta a história desse símbolo de resistência. O local está a 12 km do centro de Sarajevo, mas vale a visita.