Pelada em Pristina

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Dez horas, três ônibus e uma fronteira depois, chegamos à capital de Kosovo, Pristina. Uma cidade dura, pobre, machucada. Vielas, muitas ruas de terra, sem calçadas. Poucos sorrisos. As primeiras impressões foram de uma realidade muito difícil.

Mas, ao final do dia, dentro de um parque que está sendo reconstruído com a ajuda da União Europeia, um alento. O futebol. Meninos e a bola. A linguagem universal. A bola vem, o repórter levanta, toca uma, duas, três vezes no ar e devolve. O fotógrafo fala “Brasil!” e está feita a bagunça!

De havaianas, o repórter entra na pelada, com pitada e ginga brasileiras: uma árvore e uma pedra fazem uma trave; dois bancos fazem a outra. O talento da molecada, média de 10 anos de idade, impressiona. Dribles, toques de efeito, jogadas marotas. E sorrisos! Sorrisos de alegria, a cada gol.

Um diz que torce pro Chelsea, mas garante que sua seleção é o Brasil. Bem-informado, solta: “A seleção foi eliminada da Copa América!”. Meninada esperta, inglês perfeito. O outro abre um sorriso quando falo “Ronaldo!”, mas responde, de sem-pulo:“Messi!”. Diferentes gerações, outros ídolos. A mesma paixão.

Uma pelada inesquecível.

“Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão”

Bola de meia, bola de gude – Milton Nascimento

Srebrenica

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“Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.”

Poema de Natal – Vinicius de Moraes

Srebrenica, mais uma vez, lembra para ser lembrada, chora e faz chorar e, claro, enterra seus mortos. Em mais um 11 de julho, o pequeno vilarejo ao leste da Bósnia e Hezergovina parou para o 16º aniversário do maior genocídio em solo europeu depois do holocausto: 8 mil vítimas, entre homens e meninos.

“Don’t forget” e “Never Again”. A exemplo dos judeus, as famílias e os amigos das vítimas não querem mais o horror. Mas, há que se lembrar, sempre. As novas gerações têm de saber o que aconteceu em Srebrenica, em 1995.

Em 2011, 618 corpos foram enterrados na cerimônia no Memorial de Potocari. Todos os nomes foram anunciados nos alto-falantes, logo depois de discursos de autoridades presentes, homenagens e uma oração islâmica para lembrar das vítimas.

A prisão de Ratko Mladic, em maio deste ano, foi citada, claro. O general das forças bósnio-sérvias foi o comandante do massacre contra a população muçulmana de Srebrenica. Como um pequeno vilarejo, com gente simples, camponesa, pôde ter sofrido tamanha atrocidade?

As guerras são feitas por homens que se acham deuses, com seus planos mirabolantes e ideias loucas. Na prática, matam pessoas simples, que nada têm a ver com toda a loucura das mentes insanas. “Não importa quão necessária ou justificável seja uma guerra, ela será sempre um crime”, disse Hemingway.

Srebrenica enterrou seus mortos. Com choro, angústia, mas também esperança. Estampada nos sorrisos e beijos de meninos e meninas em suas mães. Nos abraços entre amigos, em reencontro em pleno Memorial, apinhado de gente.

Para muitas viúvas, o horror não terminou. Os corpos ainda não foram encontrados para serem enterrados. Um ritual que o homem cultiva desde a Pré-História. Escavações arqueológicas mostram que os homens do neolítico faziam rituais e cerimônias em homenagem aos mortos. Um rito de término, fechamento, necessário.

Até hoje, 5.137 corpos estão enterrados em Potocari. Ainda existem mais de 3.200 perdidos em algum local da região.

Não esqueceremos deste 11 de julho de 2011.

Jamais esqueceremos de Srebrenica.

Domingo em Novi Sad

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Neste domingo (26), fomos conhecer a segunda maior cidade da Sérvia, Novi Sad, que significa “Nova Plantação” em sérvio. Localizada a cerca de 99km a noroeste de Belgrado, o município abriga quase 400 mil habitantes (a capital tem 1,7 milhão de moradores, aproximadamente).

Novi Sad é a capital da província de Vojvodina, a região mais importante da agricultura do país. A cidade foi seriamente afetada na época dos bombardeios da OTAN, em 1999. As três pontes sobre o Rio Danúbio foram destruídas, assim como o sistema de eletricidade, água e telecomunicações. Hoje, Novi Sad está em recuperação econômica e se transformando em uma cidade de serviços. Os principais bancos do país, como Vojvođanska Bank, Erste Bank e Kulska Bank, estão sediados lá.

O domingo à beira do Danúbio foi bastante agradável. As pessoas se encontram para conversar, tomar cerveja e curtir o tempo livre. Na “praia” de areia fina, que eles chamam de Strand, meninos batem uma bola ou jogam vôlei e as crianças brincam e aproveitam o sol.

Um domingão interessante e diferente.

Ah, a viagem tem duração de 1h30 e o bilhete custa módicos 5 euros. Vale a pena.