Pelada em Pristina

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Dez horas, três ônibus e uma fronteira depois, chegamos à capital de Kosovo, Pristina. Uma cidade dura, pobre, machucada. Vielas, muitas ruas de terra, sem calçadas. Poucos sorrisos. As primeiras impressões foram de uma realidade muito difícil.

Mas, ao final do dia, dentro de um parque que está sendo reconstruído com a ajuda da União Europeia, um alento. O futebol. Meninos e a bola. A linguagem universal. A bola vem, o repórter levanta, toca uma, duas, três vezes no ar e devolve. O fotógrafo fala “Brasil!” e está feita a bagunça!

De havaianas, o repórter entra na pelada, com pitada e ginga brasileiras: uma árvore e uma pedra fazem uma trave; dois bancos fazem a outra. O talento da molecada, média de 10 anos de idade, impressiona. Dribles, toques de efeito, jogadas marotas. E sorrisos! Sorrisos de alegria, a cada gol.

Um diz que torce pro Chelsea, mas garante que sua seleção é o Brasil. Bem-informado, solta: “A seleção foi eliminada da Copa América!”. Meninada esperta, inglês perfeito. O outro abre um sorriso quando falo “Ronaldo!”, mas responde, de sem-pulo:“Messi!”. Diferentes gerações, outros ídolos. A mesma paixão.

Uma pelada inesquecível.

“Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão”

Bola de meia, bola de gude – Milton Nascimento

Hvala, Beograd!

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des.pe.di.da
sf (fem do part de despedir) Ação de despedir ou despedir-se; separação, partida, adeus.

Com certeza, não existe ser humano que goste da sensação.

Um aperto no coração, um nó na garganta.

Para um viajante, despedidas são cotidianas. Você tem de lidar com elas e ponto. Mas, como é difícil dizer adeus! Principalmente, quando você deixa para trás seres humanos tão fantásticos como encontramos em Belgrado, nosso primeiro destino na jornada pelos Balcãs.

Foram oito noites de risadas, conversas, descobertas, cafés, cervejas e afins. A capital da Sérvia abriu os braços para esses dois viajantes. Em troca, absorvemos tudo. Perguntamos, fuçamos, sentimos. E partiremos com aquele apertinho do lado esquerdo do peito, já com a sensação que somente os lusófonos sabem definir com precisão e espírito de um Vinícius de Moraes: saudade.

Como será acordar sem o café e os pães quentinhos da Lily, uma irmã mais velha que ganhamos aqui? Um enorme coração, sempre com sorriso no rosto, pessoa maravilhosa.

As madrugadas também não serão as mesmas sem as cervejas e a companhia de Stanko. Até o sol nascer no céu de Belgrado, foram conversas sobre os mais variados assuntos, de política a história, de esporte a cinema. Claro, sem esquecer o Estrela Vermelha e Novak Djokovic, suas grandes paixões. Não houve dia em que acordamos e ele não estava na frente da TV, caneca de café na mão, assistindo a todos os jogos de Wimbledon.

Nos despedimos de Belgrado levando nas mochilas, mentes e corações mais do que experiências ou sensações, mas novos amigos. Como esquecer de Milan, um dos caras mais engraçados que conhecemos, outro ótimo companheiro dos papos madrugadas adentro, fã de Simpsons e Family Guy? E as “portuguesas”, que conhecemos ao fim de uma balada, porque elas nos ouviram falar a língua de Pessoa e Camões? Sérvias, estudantes de letras, que falam português! Quais as chances?

Hvala, Beograd!

Obrigado, Belgrado!

P.S.: Ainda temos alguns posts sobre Belgrado. Nos próximos dias, mais um pouquinho sobre a capital da Sérvia. Agora, o destino é a Croácia!

O eterno derby

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Estrela Vermelha x Partizan. Segundo o Daily Mail, da Inglaterra, o confronto está na quarta colocação entre os maiores clássicos de futebol ao redor do planeta. A rivalidade do eterno derby, como o duelo é conhecido, não envolve somente futebol, mas outros esportes (vôlei, basquete, handebol, as outras modalidades populares na Sérvia).

Há também uma conotação política além do esporte, mas que reflete, principalmente, no futebol. Ambos os times foram fundados em 1945, no pós-guerra. O Estrela Vermelha nasceu em março, de uma liga jovem e anti-fascista entre os civis sérvios da Iugoslávia. Já o Partizan foi criado em outubro, como um representante do exército popular iugoslavo, que lutou contra o Eixo na II Guerra Mundial. Já dá para entender um pouco como a paixão entra em campo…

O primeiro jogo aconteceu em 5 de janeiro de 1947, no estádio do Partizan, e foi vencido pelo Estrela Vermelha por 4 a 3. Na última vez em que se encontraram, vitória por 1 a 0 do Partizan, em casa, em duelo válido pelo campeonato nacional. Na história, entre campeonato e copas nacionais, além de amistosos, foram realizados 226 partidas. São 56 empates, 71 vitórias do Partizan e 99 do Estrela Vermelha.

Nos últimos anos, o Partizan tem dominado o campeonato local, com quatro títulos seguidos. No total, foram 23 troféus nacionais, 12 copas locais, além de uma conquista da Supercopa. Mas, os números gerais são favoráveis ao Estrela Vermelha. São 25 taças nacionais, 23 copas e duas Supercopas. Além disso, o clube tem um caneco em sua sala de troféus, motivo de orgulho para todo torcedor do Estrela Vermelha e de inveja por parte do grande rival: a Liga dos Campeões da Europa, o maior torneio de clubes de futebol do mundo.

Sim, o time venceu a Copa Europeia em 1991 (na temporada seguinte, o torneio transformou-se em Champions League e passou a ter o mesmo formato que hoje conhecemos). Aquele time contava com craques como Savicevic, Mihajlovic e Prosinecki, hoje técnico da equipe. No último dia 29 de maio, o clube comemorou os 20 anos da conquista sobre o Olympique de Marselha. Depois de empate sem gols em 120 minutos de bola rolando, 5 a 3 para o Estrela Vermelha nos pênaltis.

Muita história, muita rivalidade. Assim é o eterno derby.

Para finalizar, os estádios ficam muito próximos (no Brasil, algo como o Brinco de Ouro e o Moisés Lucarelli, em Campinas, ou Olímpico e Beira Rio, em Porto Alegre). Inaugurado em 1949, o Stadion FK Partizan tem capacidade para pouco menos de 33 mil torcedores. Foi palco, durante o período de Tito (1953-1980), dos desfiles de 25 de maio, o Dia da Juventude, no qual o líder da Iugoslávia discursava para multidões. Já o estádio do Estrela Vermelha, o Stadion Crvena Zvezda, foi aberto em 1963, após três anos de construção. É conhecido como Marakana, em homenagem ao nosso, porque, no passado, recebia grandes multidões (a maior foi de 108 mil espectadores). Hoje, tem capacidade para 55 mil torcedores.

Mapa com os dois estádios


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Domingo em Novi Sad

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Neste domingo (26), fomos conhecer a segunda maior cidade da Sérvia, Novi Sad, que significa “Nova Plantação” em sérvio. Localizada a cerca de 99km a noroeste de Belgrado, o município abriga quase 400 mil habitantes (a capital tem 1,7 milhão de moradores, aproximadamente).

Novi Sad é a capital da província de Vojvodina, a região mais importante da agricultura do país. A cidade foi seriamente afetada na época dos bombardeios da OTAN, em 1999. As três pontes sobre o Rio Danúbio foram destruídas, assim como o sistema de eletricidade, água e telecomunicações. Hoje, Novi Sad está em recuperação econômica e se transformando em uma cidade de serviços. Os principais bancos do país, como Vojvođanska Bank, Erste Bank e Kulska Bank, estão sediados lá.

O domingo à beira do Danúbio foi bastante agradável. As pessoas se encontram para conversar, tomar cerveja e curtir o tempo livre. Na “praia” de areia fina, que eles chamam de Strand, meninos batem uma bola ou jogam vôlei e as crianças brincam e aproveitam o sol.

Um domingão interessante e diferente.

Ah, a viagem tem duração de 1h30 e o bilhete custa módicos 5 euros. Vale a pena.