A cidade dividida

Este slideshow necessita de JavaScript.

Ao sul, a Albânia. Ao norte, a Sérvia. No meio, o Rio Ibar. Na ponte, a divisória sobre as águas, as forças da ONU, da KFOR (Kosovo Force, em inglês – as tropas da OTAN presentes no país) e as viaturas da polícia local.

Mitrovica é uma cidade dividida. Para nós, mochileiros-turistas-jornalistas, cruzar a ponte não é um problema. Porém, a tensão está no ar. Ao final da tarde, o barulho de rajadas de metralhadora assusta. Não aos locais.

Claro, para ambos os lados, não é aconselhável passar para o território oposto. “Vocês podem ir lá. Para nós, não vale a pena”, diz Liridon, pouco mais de 20 anos, um dos filhos de Bajram Jaha, que lutou ao lado da KLA (Kosovo Libertation Army, em inglês, ou UÇK, em albanês, modo como eles chamam as forças de libertação do país – em vários momentos, rotuladas de terroristas, mas isso é assunto para outro post).

Bajram, um sujeito simpático, dono de um Café, nos hospedou, por uma noite, em sua casa, no lado sul. Jeton, seu outro filho, 23 anos, também trabalha no estabelecimento, a exemplo do irmão. O filho mais velho vive na Alemanha. A família nos passou um pouco da realidade de Mitrovica.

A cidade foi dividida depois da Guerra do Kosovo, em 1999. Até hoje, é um símbolo da cizânia do país. E os dois lados fazem questão de explicitar as diferenças. Jelen e Peja. A bandeira vermelha, branca e azul X a bandeira vermelha e preta. A igreja ortodoxa e a mesquita. As placas dos carros. Até os DDDs são diferentes! Mitrovica são duas. Bem distintas. Opostas.

Zivojin Rakocevic

Kosovo, Pec. 23 de julho de 2011. Zivojin Rakocevic, jornalista nascido em Pristina, capital do Kosovo. Antes da guerra, era professor na Universidade de Pristina, mas teve de fugir da cidade devido à perseguição dos albaneses após o fim do conflito. Hoje, vive em uma pequena vila no interior de Kosovo, onde trabalha em uma rádio local.

O berço da Igreja Ortodoxa Sérvia

Este slideshow necessita de JavaScript.

Vindos de Rozaje, na fronteira com Montenegro, Pec foi o local de nossa entrada em Kosovo. Neste sábado (23), voltamos à cidade para conhecer o berço da Igreja Ortodoxa Sérvia.

O Patriarcado de Pec tem uma igreja, um monastério e um mausoléu que abriga as sepulturas dos mais importantes arcebispos da instituição. Fundado em meados do século XIII, pelo pai da Igreja Ortodoxa Sérvia, St. Sava, e por seu discípulo, o Arcebispo Arsenije, o local foi sede da instituição até o século XVII.

Em 1990, o Patriarcado foi adicionado como Monumento Cultural de Excepcional Importância pela Sérvia. Desde 2006, também está na Lista de Locais de Patrimônio Mundial em risco, da UNESCO.

Um dos lugares mais sagrados para os ortodoxos da Sérvia fica dentro de um país que eles até hoje não reconhecem. Por isso, a visita é curiosa. Da rodoviária, andamos pouco mais de 1 km para chegar à entrada. À primeira vista, o casal de soldados na porta intimida. Mas, depois de um rápido papo, fomos liberados para uma hora de visita.

A igreja com os antigos afrescos tem uma beleza simples, mas com as marcas fortes da História. O monastério é agradável, com belo jardim. Na saída, o simpático soldado sérvio até brinca com o fotógrafo sobre a escolha da marca da câmera. Um lugar peculiar.

Casamento

Bósnia e Hezergovina, Sarajevo. 12 de julho de 2011. O casamento é um rito muito importante em qualquer religião. Em Sarajevo, que abriga os mais diferentes credos, a diversidade de lojas de vestimentas matrimoniais para atender de cristãos a muçulmanos, é muito interessante.

Cidade plural

Este slideshow necessita de JavaScript.

Sarajevo é uma das poucas cidades no mundo que tem duas igrejas (uma católica e outra ortodoxa), uma sinagoga e uma mesquita quase no mesmo quarteirão. Uma mostra de tolerância religiosa e convivência pacífica entre diferentes visões espirituais.

A primeira construção foi a mesquita Gazi Husrev Begova, de 1531, quando o Império Otomano já havia se estabelecido e difundido o islã na região. A mesquita foi bem danificada em 1697, reformada em 1762, mas destruída novamente em 1879. A última reconstrução data de 1886 e, apesar de ter sido atingida nos bombardeios da guerra dos anos 1990, ficou intacta em suas preciosidades arquitetônicas.

Os otomanos foram os principais promotores da paz entre as diferentes religiões em Sarajevo. Eles abraçaram os judeus, expulsos da Espanha pela Inquisição, em 1492. Aqui, os sefaradi se estabeleceram e construíram o primeiro templo, a Stari Hram, em 1581, no meio da Old Town. Hoje, é um museu judaico.

A Stari Hram está localizada entre dois templos cristãos: a catedral católica e a velha igreja ortodoxa. A primeira, Catedral do Sagrado Coração de Jesus, teve a construção concluída em 1889, quando o Império Austro-Húngaro já governava Sarajevo. Já a igreja ortodoxa é muito mais antiga, pois estima-se que foi erguida entre 1539-40. Os ortodoxos aumentaram consideravelmente sua influência na Bósnia a partir da construção do templo.

A convivência pacífica entre diferentes religiões é um exemplo que Sarajevo passou, passa e, certamente, passará ao mundo, sempre. Que seja seguido.

Igreja Ortodoxa Sérvia

Este slideshow necessita de JavaScript.

A Igreja Ortodoxa Sérvia é o principal símbolo deste povo. Além da Sérvia, a Igreja é dominante em Montenegro e na República Srpska (país independente sérvio, na parte norte da Bósnia e Hezergovina), com 84% de adesão da população nos três países – cerca de 11 milhões de fiéis. A instituição também tem alcance na Croácia e na Macedônia.

Ao sul da capital sérvia, há monastérios muito antigos, que datam do século X até o XIV. Em Belgrado, existem inúmeros templos ortodoxos, mas o principal é o de St. Sava. Em novembro de 2010, o novo patriarca da Igreja Ortodoxa assumiu a função, com a promessa de se aproximar da Igreja Católica. O bispo Irinej manifestou vontade de que o Papa Bento XVI visite a Sérvia, algo inédito.

Para mais informações sobre a Igreja Ortodoxa Sérvia, clique aqui.