Almoço bósnio

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O almoço do domingo em Banja Luka foi em família. Um momento muito gostoso na casa do nosso novo amigo Tibor, um cara fantástico, que nos mostrou a cidade e, entusiasmado, contou muitas histórias sobre o seu país.

A começar por sua família. Os avós, pais de sua mãe, Ankica, uma simpatia em pessoa, que preparou a delícia do nosso domingo, se conheceram no meio da II Guerra Mundial. Ele, um tenente do exército Partisan, lutando contra os nazistas. Ela, uma alemã no meio do exército do Eixo. História de filme.

Bom, à parte desse maravilhosos roteiro, provamos do Bosanski Lonac, prato típico da Bósnia, muito simples de preparar.

Em uma panela grande, coloque vários tipos de legumes (tomate, cenoura, batata, couve-flor, vagem, pepino, abobrinha, berinjela, cebola, milho, brócolis, pimentão, nabo, alho, brócolis, entre outros), com pedaços de carne de porco, boi e cordeiro (pode ser de costela, lombo, lagarto). Com mais ou menos 1 litro ou mais de água – o suficiente para tudo ficar mergulhado – e mais um copo de vinho branco, adicione sal, pimenta negra e outros temperos que quiser, e deixe fervendo, em fogo baixo, por mais ou menos 6 horas.

O resultado é uma delícia de domingo, ao lado de nosso amigo, de sua mãe e do simpático Teddy, o lindo gato de olhos laranjas que recebeu carinhos destes forasteiros. Inesquecível!

Capital da Republika Sprska

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Explicar a divisão das duas federações dentro do país é um pouco difícil, mas vamos tentar ser didáticos e breves. Depois da II Guerra Mundial até 1990, as seis repúblicas (Eslovênia, Croácia, Sérvia, Bósnia e Hezergovina, Macedônia e Montenegro) ficaram unidas sob a bandeira da Iugoslávia, com o comando de Josip Broz, o marechal Tito.

No fim de 1990, dez anos após a morte de Tito, o país começou a ruir. Eslovênia e Croácia se tornaram independentes quase sem derramamento de sangue (na segunda república, as coisas foram um pouco mais complicadas, mas não entremos em detalhes).

Em meio ao tenso cenário, um movimento dentro do Parlamento da Iugoslávia formou uma representação dos sérvios na Bósnia e Hezergovina, o que, depois de um tempo, levou à criação da Republika Srpska. (Dê um FF no DVD ou Blue Ray: guerra civil, desmonoramento total da Iugoslávia, fim do conflito e Acordo de Dayton, em 1995).

No acordo, ficou definido que a Bósnia e Hezergovina seria um país, mas com a Republika Srpska como segunda federação. Em tese, é uma outra nação, com constituição, parlamento e primeiro-ministro próprios.

Aliás, a constituição define a Republika Srpska como um território unificado, indivisível e com direitos de entidade independente, ou seja, com poderes legislativo, executivo e judiciário autônomos. Na prática, é um país à parte da Bósnia e Hezergovina. (Veja o mapa com as duas federações aqui).

A capital é Banja Luka. Três impérios passaram pela cidade. Os romanos ficaram encantados com a água da região, especialmente a do Rio Vrbas, que divide o município (e construíram um forte e um castelo na cidade). Otomanos e austro-húngaros também abarcaram Banja Luka em seus domínios e, inclusive, brigaram pelo território.

No século XX, Banja Luka viveu e sobreviveu aos ataques, tanto do Eixo quanto dos Aliados, durante a II Guerra Mundial, passou por um terremoto em 1969 e assistiu, de longe e sem maiores traumas, à guerra civil na Iugoslávia.

Hoje, é uma cidade que expressa a autonomia da Republika Srpska, com a personalidade e a força do Vrbas, pessoas abertas e amáveis. Como Tibor, o DJ que nos mostrou a cidade com entusiasmo e simpatia. E que nos fez entender um pouco mais dessa história…

P.S.: Note que a bandeira da Republika Srpska tem as mesmas cores do pavilhão da Iugoslávia, mas sem a estrela no meio. Interessante.

Nektar

Depois da Jelen, da Sarajevsko e da Mostarsko, hoje a loira escolhida para a categoria Cervejas é a Nektar, de Banja Luka.

Em 1873, monges do monastério Marija zvijezda fundaram a cervejaria Banja Luka, com o objetivo de produzir a própria bebida. Membros da Ordem Trapista, famosa pela tradição e qualidade na produção de cervejas, eles começaram a fazer a loira na vila Delibasino, perto de Banja Luka. A cervejaria cresceu muito, foi nacionalizada depois da II Guerra Mundial, modernizou a administração nos últimos tempos e hoje produz 1 milhão de hectolitros por ano.

O carro-chefe é a Nektar. Do tipo Pilsen, tem 5% de teor alcoólico, um leve sabor amargo, porém refrescante. Em 2007, foi premiada pelo Instituto Internacional de Sabor e Qualidade (iTQi, em inglês), em Bruxelas (Bélgica), com o selo de três estrelas (Sabor Superior). Também foi condecorada com outros prêmios internacionais nos últimos anos, provando sua ótima qualidade.

Prêmios merecidos. A Nektar é ótima e barata (garrafa de 500 ml custou apenas 0,80 KM – cerca de 0,40 euro!). Tem também garrafinha de 300 ml, lata de 500 ml e o chope, no barril de 30 l!

Ziveli!

Sarajevo-Banja Luka

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Depois de oito noites descobrindo Sarajevo (com passagens por Srebrenica e Gorazde), partimos para o norte da Bósnia e Hezergovina, com destino a Banja Luka, a segunda maior cidade do país.

Com população estimada em 250 mil habitantes, Banja Luka é a capital da Republika Srpska (ou República Sérvia), a outra entidade política dentro do país. Nos próximos dias, vamos esclarecer mais profundamente o assunto, um pouco confuso para os próprios nativos!

Enquanto isso, fiquem com algumas imagens da bela viagem, em meio às montanhas (lembrem-se: balcãs deriva de palavra turca que significa montanha!). No final, fomos acompanhados pela beleza das águas verdes do Rio Vrbas, que chega até Banja Luka e é muito importante para a cidade. Aguardem mais da capital da Republika Srpska!

Igreja Ortodoxa Sérvia

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A Igreja Ortodoxa Sérvia é o principal símbolo deste povo. Além da Sérvia, a Igreja é dominante em Montenegro e na República Srpska (país independente sérvio, na parte norte da Bósnia e Hezergovina), com 84% de adesão da população nos três países – cerca de 11 milhões de fiéis. A instituição também tem alcance na Croácia e na Macedônia.

Ao sul da capital sérvia, há monastérios muito antigos, que datam do século X até o XIV. Em Belgrado, existem inúmeros templos ortodoxos, mas o principal é o de St. Sava. Em novembro de 2010, o novo patriarca da Igreja Ortodoxa assumiu a função, com a promessa de se aproximar da Igreja Católica. O bispo Irinej manifestou vontade de que o Papa Bento XVI visite a Sérvia, algo inédito.

Para mais informações sobre a Igreja Ortodoxa Sérvia, clique aqui.